
Existem quadrinhos que chamam atenção pela história. Outros, pela arte. E existem aqueles que conquistam justamente pela simplicidade da proposta. Senhoras e senhores: Um Pedaço de Madeira e Aço!

Est-ce que je peux m’asseoir ?
Um Pedaço de Madeira e Aço (Un peu de bois et d’acier, no original, ou simplesmente Park Bench nos Estados Unidos) é um quadrinho escrito e desenhado pelo quadrinista francês Christophe Chabouté (Solitário e Moby Dick), lançado em 2012.
Esse é um quadrinho extremamente inusitado. Isso porque o protagonista é, nada mais, nada menos, que um banco de praça. É isso mesmo!
Basicamente, acompanhamos o cotidiano desse banco e de todas as pessoas que interagem com ele de alguma forma no dia-a-dia.

Diferencial
Como já dá para imaginar, esse quadrinho não possui nenhum tipo de diálogo.
O leitor apenas observa os acontecimentos e interpreta tudo por meio das expressões faciais e da linguagem corporal dos personagens. Justamente essa dinâmica que torna essa obra tão interessante.
Obviamente, quadrinhos sem diálogos não são exatamente uma novidade. Laços, por exemplo, trabalha com uma proposta parecida.
Porém, o grande diferencial da obra de Chabouté está na passagem do tempo.

Como acompanhamos o cotidiano de um banco de praça, vemos dezenas de pessoas diferentes cruzando seu caminho.
O autor não economiza nos detalhes: passam por ali um morador de rua, um policial, casais, um skatista, um cachorro, um músico… a lista é enorme.
Cada personagem possui sua própria rotina e uma forma diferente de interagir com o banco.
O grande destaque está justamente nas mudanças que o tempo provoca nessas pessoas e na maneira como a vida trata de transformá-las.

É prazeroso acompanhar a evolução desses personagens,
O sentimento de profundidade vai muito além do esperado, justamente porque é muito fácil se identificar com as situações apresentadas.
Arte
A arte de Chabouté merece um destaque à parte. O autor trabalha muito bem os detalhes e, principalmente, as expressões dos personagens.
Tudo é extremamente claro. Mesmo sem balões de diálogo, é possível imaginar exatamente o que cada personagem está pensando. Além disso, Chabouté evita poluir os quadros.

Como o quadrinho é inteiramente em preto e branco, os cenários são limpos e direcionam toda a atenção do leitor para aquilo que realmente importa: o banco e as pessoas que passam por ele.
A edição da Pipoca & Nanquim também merece muitos elogios.
Queria Mais!
Assim como Laços, Um Pedaço de Madeira e Aço sofre do mesmo “problema”.
Como o quadrinho não possui diálogos, é possível terminar a leitura muito rapidamente.
Se o leitor estiver com pressa, consegue devorar o quadrinho em cerca de dez minutos. (Isso realmente aconteceu: um amigo terminou a leitura nesse tempo.)
Mesmo apreciando cada página, observando os detalhes, imaginando os diálogos e refletindo sobre as cenas, a leitura continua sendo bastante rápida.
Esse é um daqueles casos em que o único defeito da obra é justamente ser boa demais.
Quando a última página chega, fica aquela sensação de querer passar mais tempo observando a vida daquele banco de praça.

De qualquer forma, Um Pedaço de Madeira e Aço é uma obra excepcional.
Para quem deseja sair um pouco do universo dos super-heróis e conhecer uma história mais contemplativa e sensível, essa é uma recomendação fácil.
Hoje é bem complicado encontrar a versão física desse quadrinho, mas ele pode ser adquirido para o Kindle e o quadrinho custa cerca de R$ 30 na Amazon. Se quiser conferir, Clique Aqui!
E você? Já leu Um Pedaço de Madeira e Aço? Quais outras obras de Christophe Chabouté recomenda? Conta pra gente nos comentários!
