
Grande parte das tramas de mistério se baseia no poder de dedução de grandes detetives. Sherlock Holmes e Hercule Poirot são grandes exemplos disso, mas imagine uma trama em que dois jovens voltam no tempo usando fotografias para conseguir alguma pista ou informação importante. Hoje vamos falar dessa obra chamada Link Click.
Fotos?
Link Click é uma série de donghua (animação chinesa) criada e dirigida por Li Haoling e produzida pelo Studio LAN, em parceria com a Bilibili.
A primeira temporada estreou em 30 de abril de 2021 e conta com 12 episódios, incluindo um episódio especial.
A obra recebeu uma segunda temporada em 2023 (12 episódios), além do arco especial Bridon Arc (6 episódios) e uma terceira temporada já foi confirmada em 2026.
Ao longo dos anos, Link Click se consolidou como um dos donghuas mais populares da atualidade, conquistando fãs pelo mundo graças à sua narrativa de mistério, viagem no tempo e drama.
A série conta a história de dois jovens: Cheng Xiaoshi e Lu Guang, que trabalham em uma pequena loja chamada Time Photo Studio. Embora ela pareça ser apenas uma loja comum, seus funcionários possuem habilidades sobrenaturais.
Para atender às solicitações de seus clientes, os dois unem seus poderes e entram dentro de fotografias. Sim, eles basicamente voltam no tempo utilizando fotos, tanto físicas quanto digitais.

Os dois protagonistas trabalham em conjunto: Cheng Xiaoshi realiza a viagem temporal, enquanto Lu Guang serve como guia, conversando e orientando seu amigo telepaticamente no presente para que ele não altere o passado.
A partir dessa premissa, diversos acontecimentos conduzem os protagonistas a um grande mistério.
Apesar de interessante, essa não é uma animação que foge muito do convencional, pelo menos quando se trata de seus personagens.
Photoboys
Como foi dito anteriormente, em Link Click acompanhamos a vida dos dois protagonistas, e eles são basicamente o oposto um do outro.
Cheng Xiaoshi é o personagem mais emotivo, teimoso, animado e impulsivo, enquanto Lu Guang é centrado, lógico, calmo e racional.
Também vale abrir um parêntese para falar da amiga de infância e senhoria de Cheng Xiaoshi: Qiao Ling.
Ela é conhecida como a “bruxa que entra em fotos”, um título de fachada para conseguir trabalho para os meninos. Como vocês podem imaginar, ela é encaixa no estereotipo de “Bff dos protagonistas”, aquela personagem que pega no pé deles, briga, bate, mas se importa muito com os garotos.

Mesmo que essas personalidades não sejam algo inovador dentro da indústria dos animes, é a narrativa e a forma como ela trabalha esses personagens que fazem com que eles brilhem.
Fora do Convencional
Obras que abordam viagens no tempo normalmente apresentam um objetivo em comum: mudar o passado para transformar o futuro em algo melhor.
Em Link Click, essa lógica não é muito diferente, porém existem limitações. A primeira coisa a se comentar é que os protagonistas não podem mudar o passado de maneira drástica. Existem ações que podem, sim, ser feitas de maneira diferente, porém elas não alteram o presente. Contudo, evitar que alguém seja morto ou realizar uma ação que fuja do que já aconteceu pode reescrever a realidade.
Isso significa que, mesmo que eles descubram quem é o ladrão, o assassino ou o sequestrador, o crime ainda precisa ocorrer. Eles não podem impedir um assassinato, por exemplo.
Empatia
É daí que surge toda a simpatia por Cheng Xiaoshi. Por ser capaz de incorporar outras pessoas, ele acaba sentindo tudo o que aquele indivíduo vive naquele momento: amor, raiva, tristeza... Tudo isso acaba influenciando Cheng Xiaoshi. Ele desenvolve uma empatia muito forte e, por conta disso, sempre acaba ajudando as pessoas que incorpora.

A grande questão são essas mudanças e a forma como elas influenciam o futuro dessas pessoas. Muitas vezes, algumas atitudes acabam condenando esses personagens. E o pior de tudo: mesmo que uma pessoa morra, Cheng não pode fazer nada, pois isso pode afetar o presente.
Toda essa carga cai sobre os ombros de Cheng. Mesmo que ele saiba de algo que pode salvar a vida de centenas de pessoas, ele precisa se conter e deixá-las seguir seu fluxo natural. Isso gera conflitos com Lu Guang, que, apesar de entender a dor do amigo, não cede e nem demonstra emoção, pois acredita que essa seja a melhor decisão.
Mistério
De início, vemos a dupla de protagonistas resolvendo alguns casos que se baseiam em conseguir informações que só podem ser encontradas no passado, como o ingrediente secreto de uma receita, por exemplo. Todavia, esses episódios sempre terminam com um cliffhanger, despertando a curiosidade do espectador para algo muito maior.

Um dos maiores mistérios da animação é justamente o funcionamento dos poderes dos garotos, além das consequências que uma possível alteração pode causar. Com o tempo, alguns desses casos passam a se interligar, construindo algo muito mais importante ao final, a ponto de envolver a polícia.
Tudo isso é desenvolvido de forma bastante orgânica. Detalhes que parecem não ter importância acabam se mostrando fundamentais, e é muito satisfatório ver isso acontecer.
Visual
Visualmente, os cenários até que são bem bonitos, porém a animação é o grande destaque. As cenas de ação são lindas de assistir. Dá para perceber um pouco dessa qualidade logo na abertura:
Já a trilha sonora é muito boa. Existem momentos com músicas cantadas que agregam bastante às cenas, além do encerramento, que complementa muito bem os cliffhangers ao final dos episódios.
A dublagem, diferente dos animes convencionais, é em mandarim. Pode ser que algumas pessoas estranhem no começo, mas é algo com que se acostuma conforme os episódios avançam.
Dive Back In Time
Assim como aconteceu com Odd Taxi, Link Click se mostrou uma agradável surpresa. O drama e os questionamentos que a viagem no tempo pode trazer são muito bem abordados dentro da história. Sua construção é muito boa, e seus protagonistas são extremamente carismáticos, sendo impossível não simpatizar com pelo menos um deles.

Pelo que foi citado anteriormente, o dilema moral e as situações realistas que ocorrem durante a história (não estou falando de voltar no tempo usando o Insta) podem ser alguns dos motivos que tornam essa uma recomendação fácil. Mas fica ao seu critério. Se você gosta de tramas bem construídas, com personagens carismáticos e realistas, além do bônus de envolver viagem no tempo, Link Click é para você.
Ordem recomendada para assistir
- 1ª temporada
- 2ª temporada
- Bridon Arc
- 3ª temporada (quando disponível)
Apesar de Bridon Arc ser um prelúdio, o ideal é assisti-lo após a segunda temporada, pois o arco revela acontecimentos importantes para a continuidade da história. O donghua está disponível na Crunchyroll.
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