
Seguindo a onda de outros animes dos anos 90 ganhando reboot, Digimon Adventure (2020) é uma reimaginação do anime de 1999. Depois de 67 episódios completos, já dá para falar com propriedade sobre o que esse reboot realmente entregou. Diversos fatores foram alterados, alguns para melhor, outros nem tanto assim.
Vamos deixar tudo explicadinho, afinal Digimon fez parte da infância de muita gente e esse reboot não poderia passar em branco.

Aviso: Esse post contém alguns spoilers! Então, se deseja continuar, é por sua própria conta e risco!
Real/Digital
A primeira mudança colossal desse reboot é que a história se passa nos dias de hoje. Sim, smartfones e dispositivos móveis estão no seu auge e a informação nunca esteve tão facilitada.
Logo no início, Yagami Taichi (Izzy) e ambos estão se preparando para o acampamento de verão.
Só que ocorre um ataque ciberterrorista em Tóquio que causa mau funcionamento em diversos lugares da cidade, inclusive no metrô.
Infelizmente, a mãe de Taichei e a irmã Hikari (Kairi) estão em um desses metrôs descontrolados.
Sem escolha, Taichi corre para tentar salvar a família e é aí que seu brasão se ativa através do seu smartfone e o transporta para a internet. Lá, ele conhece Koromon, que logo evolui e se torna Agumon.

Aparentemente, o ataque ciberterrorista estava sendo causado por Digimons, e Koromon estava tentando impedi-los de interferir no mundo real.
Saudosista ou não, tenho que admitir que essa apresentação ao mundo digital e o transporte do protagonista foi bem mais convincente que na versão de 99. É mais fácil supor que o mundo digital interfere na internet do que no mundo real de fato. Então não temos mais aquela onda gigante levando as crianças para a para o Digimundo.
Cara do computador
No Digimon clássico, as crianças foram todas juntas para o mundo digital. Nessa versão, enquanto Taichi está dentro da internet lutando ao lado de Agumon, Koshiro fica no mundo real em contato com ele, analisando a situação e alertando o parceiro.
Só mais para frente na historia é que as crianças entram de fato no Digimundo.
Ao longo da série, essa dinâmica se mantém em boa parte dos arcos: os digi-escolhidos vão entrando na história aos poucos, e o protagonismo de Taichi e Yamato (Matt) continua evidente até o fim.
Ele demonstra estar muito mais presente nas batalhas, ajudando ativamente o Agumon, diferente da versão original, em que as crianças torciam à distância enquanto os parceiros lutavam.

Esse é, aliás, um dos pontos mais debatidos entre quem acompanhou a série inteira: o quanto o Taichi e Yamato domina o protagonismo em detrimento do restante do elenco.
Ainda que o grupo se expanda ao longo dos episódios, personagens como Sora, Jou, Mimi, Koshiro Takeru e Hikari acabam recebendo bem menos profundidade do que tiveram na série de 1999.
Visual e trilha sonora
O traço de Digimon Adventure (2020) mescla o antigo com algo novo, é bem colorido. O character design manteve aquela cara clássica da franquia, ainda que um pouco mais “fofo” para agradar o público infantil.
Tecnicamente, a animação segura bem a peteca até o final: mesmo com as quedas de qualidade, comum em produções de TV com 67 episódios.
Porém a pior coisa desse Reboot são evoluções onde novamente, apenas Agumon e Gabumon receberam uma atenção. Os outros Digimons apenas brilham e aparecem em outra forma.

Trilha sonora
A trilha sonora acompanha bem os momentos de luta e mantém o tom épico nas evoluções.
Mas vamos falar do maior pecado desse reboot logo de cara: tiraram o Brave Heart!
A abertura nova traz algumas referências ao anime clássico, mas nada muito gritante.
E a narrativa, como ficou?
O ritmo é um problema recorrente ao longo da temporada: elementos que demorariam para aparecer na versão de 1999 são antecipados sem muito cuidado, incluindo evoluções muito poderosas surgindo cedo demais na trama, o que tira um pouco do impacto que essas cartas deveriam ter mais para frente.
Some a isso o desequilíbrio no tempo de tela entre os personagens, e o resultado é uma história que entretém, mas raramente aprofunda.
Quem espera reencontrar a mesma construção de personagens e ritmo do clássico, o reboot pode soar como um projeto competente tecnicamente, mas peca se comparado ao anterior.
Um ponto positivo são as evoluções extras que os protagonistas podem realizar, como BlitzGreymon e o Pegasomon.

Vale a pena?
Apesar do anime ser voltado para um público mais jovem, ver Taichi e companhia novamente consegue funcionar apenas para quem está conhecendo agora a franquia agora.
A qualidade da animação, sinceramente incomoda. Assistir Digimon sem as sequencias de evoluções de todas as crianças é particularmente chato.
Se você é fã de Digimon, vale a pena assistir, afinal tem muitos elementos do universo expandido nessa obra. Mas a profundidade narrativa não aparece, além dos problemas citados anteriormente.
Digimon Adventure (2020) está disponível na Crunchyroll.
Confira o trailer:
Comenta aqui embaixo o que você achou de Digimon Adventure (2020), vamos adorar saber a sua opinião.
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