MAUS: O Holocausto Retratado por Animais – Review

Capa do Review de MAUS

MAUS é um quadrinho que merece ser lido por qualquer fã de HQs. Apesar de ser uma obra bastante conhecida, muita gente acaba adiando essa leitura e só depois percebe a importância dessa história.

Talvez esse seja até o melhor momento para conhecê-la. Afinal, MAUS é uma daquelas obras cuja magnitude só é compreendida depois que a leitura termina.

A Autobiografia de Família

MAUS: A História de um Sobrevivente conta a história da família do autor Art Spiegelman. Mais especificamente, a história de seus pais, Vladek e Anja Spiegelman, sobreviventes do Holocausto.

MAUS é uma obra autobiográfica. Nada aqui é inventado; os acontecimentos são baseados nos relatos de Vladek Spiegelman. Uma das características mais interessantes da obra é que ela não retrata apenas o Holocausto, mas também mostra o momento em que Vladek relembra sua história para o filho.

Art Spiegelman conversando com seus pais sobre a segunda guerra.

Esses momentos são bastante pessoais, pois revelam como era o relacionamento entre Art e seu pai, a culpa que o autor sente por não ter vivido aquele período e até mesmo as dificuldades enfrentadas durante a produção da obra e sua repercussão.

Enquanto isso, Vladek narra sua vida adulta, seu casamento, sua fuga dos nazistas, sua chegada a Auschwitz e, por fim, sua sobrevivência.

Os porcos ameaçando os ratos em MAUS

A narrativa é extremamente dramática e triste. Afinal, não há como tratar um acontecimento como o Holocausto de forma leve. Tudo é muito bem contado. Algumas páginas fazem o leitor interromper a leitura apenas para refletir sobre tudo o que acabou de acontecer.

 

Animais Descrevendo o Pior Período da História

A arte é incrível. Para representar a nacionalidade dos personagens, Spiegelman utiliza animais.

Os judeus são ratos, os alemães são gatos, os americanos são cães, os franceses são sapos e os poloneses são porcos. E os carros são como as lanchas…)

Os soldados cachorros que representam os americanos em MAUS

Pode parecer uma ideia meio estranha no primeiro momento, mas funciona muito bem. Essa escolha deixa a leitura mais simbólica e ajuda a reforçar a relação entre os diferentes povos durante a Segunda Guerra Mundial.

Outro ponto que chama bastante atenção é o traço. Todo o quadrinho é desenhado em preto e branco, sem grandes detalhes ou exageros. É uma arte bem simples, mas extremamente expressiva. Muitas vezes um único quadro consegue transmitir mais emoção do que páginas inteiras de diálogo.

Diversos ratos vestindo roupas diferentes.

No fim das contas, a arte de MAUS combina perfeitamente com a proposta da obra. Ela não tenta chamar mais atenção do que a história, muito pelo contrário, serve para deixá-la ainda mais pesada e impactante.

Vale a pena?

MAUS entrega muito mais do que uma simples narrativa sobre a Segunda Guerra Mundial. Além de retratar as atrocidades do Holocausto, a obra mostra as consequências desses acontecimentos na vida de seus sobreviventes.

O leitor dificilmente termina essa leitura sentindo apenas uma emoção. Tristeza, alívio, revolta e indignação caminham lado a lado durante toda a narrativa.

Um pai e filha, ambos judeus.

É uma leitura altamente recomendada tanto para quem nunca leu quadrinhos quanto para quem já conhece o gênero, mas permanece apenas no universo dos super-heróis.

MAUS é uma obra sensacional. Simples assim.

Além disso, foi a primeira história em quadrinhos a receber um Prêmio Pulitzer Especial, consolidando seu lugar como uma das obras mais importantes da história dos quadrinhos.

Ratos representando os judeus. vestidos com os pijamas listrados dos campos de concentação.

E você, já leu MAUS? O que achou dessa forma tão diferente de retratar o Holocausto? Conta aqui nos comentários qual foi o momento que mais te marcou durante a leitura. E, se conhece alguém que ainda acha que quadrinhos são “coisa de criança”, compartilhe este post com essa pessoa!

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