
Criado por Shotaro Ishinomori em 1971, Kamen Rider surgiu como um projeto multimídia que unia televisão e mangá ao mesmo tempo. A série de TV produzida pela Toei Company rapidamente se tornou um fenômeno no Japão e ajudou a popularizar o gênero tokusatsu, influenciando diversas obras nas décadas seguintes.
Enquanto a versão televisiva ficou marcada pelas lutas exageradas, monstros caricatos e pelo visual icônico do herói, o mangá original de Ishinomori seguia um caminho mais sombrio, violento e político em alguns momentos. Mesmo sendo um clássico importante da cultura pop japonesa, fica a dúvida: a obra ainda funciona tão bem atualmente? Vamos destrinchá-lo nesse pequeno review.
Enredo
A história acompanha Takeshi Hongo, um universitário sequestrado pela organização criminosa Shocker para ser transformado em um ciborgue super-humano. Após escapar da lavagem cerebral, ele usa seus novos poderes para lutar contra a própria organização, enfrentando monstros, experimentos grotescos e outros inimigos ao longo do caminho.
Diferente da série de TV mais exagerada, o mangá de Shotaro Ishinomori aposta em um tom mais sombrio, violento e melancólico, explorando bastante o conflito entre humanidade e monstruosidade.
A trama é bacana, porém inconsistente. A história apresenta cenas com gore e termina praticamente só com porrada. Existem dois Kamen Riders na narrativa, assim como na série original, e eles definem a pegada da obra.
A primeira parte, com Takeshi Hongo, é mais visceral e séria, enquanto a parte com Hayato Ichimonji aposta mais em cenas de comédia. A mudança de tom acaba ficando bem estranha.

Arte
A arte é bacana com claros traços dos mangás mais antigos como Cavaleiros do Zodiaco e afins. Mas assim como o enredo, ela não é constante, temos cenas com um traço mais detalhado e outras bem… confere ai:

Diálogos
Os diálogos são bem datados, mas não chegam a incomodar como é nas HQs da Marvel e DC mais clássicas.

A obra tem uma clara crítica política, o que é bem legal, mas eles não chegam a desenvolver ela muito bem. Poderia ter mais contexto da sociedade e uma motivação dramática mas bem mais elaborada.

Conclusão
De forma geral, Kamen Rider não é um mangá ruim. A mensagem que a obra transmite continua bastante atual até hoje e, apesar de vários elementos terem envelhecido bastante, isso não chega a atrapalhar tanto a experiência (tirando os cavalos).
Os protagonistas acabam sendo bem genéricos e não possuem muito carisma, enquanto a arte e os diálogos sofrem com altos e baixos constantes. Ainda assim, o mangá consegue se manter interessante pelo peso histórico da franquia e pela proposta mais sombria em comparação com a série de TV.

No fim, é uma obra curiosa para fãs de tokusatsu e para quem quer conhecer as origens de uma das franquias mais importantes da cultura pop japonesa. E a edição da New Pop não deixa a desejar.
É possível encontrar os 3 volumes facilmente em sites como a Amazon.
Confira aqui os links para o Vol 1, Vol 2 e Vol 3.

Agora resta descobrir se Kamen Rider Black consegue superar o original.
E aí, concorda com a review ou acha que o mangá merece mais reconhecimento? Comente aí embaixo e compartilhe com aquele amigo fã de tokusatsu!
