Beck – Uma paixão por música em forma de mangá (Review)

Capa do review do mangá Beck. Mostra os 5 integrantes da banda

Sim, faz muito tempo desde a última vez que tivemos review de mangá por aqui. Kingdom Hearts tinha sido o sortudo do momento, depois dele, fiquei pensando no que poderia ler de interessante. Como vocês sabem, a mídia mangá tem um vasto leque de temas — talvez seja o que mais me atrai neste tipo de entretenimento — e procurando algo diferente, lembrei de um anime especial na qual estava aguardando muito para saber como a história continuava no mangá.

Talvez você estranhe um pouco, pois Beck é uma obra sobre música. Ele não é uma história que tenha elementos musicais, ao contrário, tudo gira em torno do mundo da música. Como eu falei, por mais que pareça estranho: não conseguir ouvir o que está sendo tocado/cantado, não necessariamente estraga a experiência, ou deixe de ser relevante. Dependendo da forma que for executado, quem sabe até não faça falta.

Ficou curioso(a)? Então sem mais delongas, vamos para o review!

 

Beck: Mongolian Chop Squad

Beck é um mangá de HAROLD Sakuishi, publicado na revista Gekkan Shounen Magazine (Kodansha) entre 1999 e 2008. No total a obra possui 34 volumes com 103 capítulos de, em média, 64 páginas. A obra ganhou um anime pelo estúdio Madhouse em 2005, contendo 26 episódios.

Ao meu ver, parece que as pessoas conhecem Beck mais pelo anime do que o mangá; por ser algo relacionado a música e também pelo estúdio — Madhouse é abundantemente conhecida por ter um ótimo catálogo de animes. Portanto, você que já assistiu o anime e quer pegar unicamente a parte que não foi adaptado, basta começar do capítulo 33 para frente, porém recomendo ler tudo, vale mais a pena acompanhar a evolução da obra.

Enfim, vamos falar do que se trata este quadrinho. Aqui acompanhamos a história de Koyuki (Yukio Tanaka), um garoto japonês “comum”, sem muitos amigos e procurando um motivo para continuar existindo. Ele acaba encontrando por acaso, Ryusuke Minami, um cara estiloso, bilíngue e que toca excepcionalmente guitarra.

Koyuki não tinha muita conexão com música no geral, todavia depois de começar a se aprofundar neste meio, sua vida muda para sempre, principalmente quando é convidado para entrar na banda de Ryuusuke.

Imagem do Koyuki cantando

 

Progressão

O ponto mais legal de Beck, é ver a evolução de Koyuki e da banda no decorrer do mangá. Mostra de maneira bem pé no chão, as dificuldades que é montar uma banda e querer viver disso pelo resto da vida. Acompanhamos a história desde o inicio do grupo, montando a banda, ensaiando, shows, tentando resolver os perrengues, etc.

Apesar do grupo principal ter dois problemas muito específicos, o que poderia justificar a maior parte das complicações que acontece com eles, o autor cria outros personagens secundários deixando claro que, não é fácil para ninguém conseguir viver de música. Sem sombra de dúvidas é o que Beck mais acerta, deixando você aflito e torcendo muito para que tudo dê certo.

Como eu já citei, o mangá possui 34 volumes, uma quantidade considerável de leitura. Dessa maneira, o desdobramento da história é bem natural, não sendo tão acelerada, nem lenta. Só certas partes que me questiono do real motivo delas estarem lá, mas nada que atrapalhe a experiência.

 

Efeito da música

Beck causa uma sensação semelhante ao que anime/mangá de esporte causa. A obra consegue lhe passar uma empolgação tão grande que, se você não sentir vontade de aprender a tocar algum instrumento, no mínimo, você vai querer conhecer bandas novas, assistir à gravação de shows, pesquisar entrevistas, saber um pouco mais daqueles artistas que tanto admiramos.

Koyuki tocando guitarra

É uma imersão tão grande que dá vontade de continuar neste meio, por diversas vezes. Após uma sessão de leitura, eu me peguei fazendo alguma dessas atividades que listei, várias vezes. Dá certa curiosidade de saber como foi a trajetória daquela sua banda favorita, entender como chegaram onde estão agora, se eles(as) passaram por algo parecido que nem no mangá.

“Ah, mas sem poder ouvir como eles tocam, não vou sentir essa empolgação, deve ser sem graça…”

É justamente o oposto! A forma que o autor cria a cena quando alguém está tocando, é bastante imersiva. Ele usa bastante as onomatopeias, brinca com o efeito de iluminação, traços dos personagens. Cada cena transmite alguma sensação, é capaz de até fazer o leitor completar o som na sua própria cabeça.

 

Como terminar um mangá que pode continuar por anos?

Sempre tive receio de como seria o final de Beck. No anime, a Madhouse conseguiu terminar de maneira eficiente, deixa um pouco o gostinho de quero mais, só que você compreende que essa foi a melhor maneira de acabar.

O mangá tem essa mesma pegada. Os últimos capítulos deixam uma noção de como será o futuro da banda, além de passar uma mensagem muito bonita da importância que a música tem na vida das pessoas — tema que a obra mostra para você diversas vezes.

Mesmo sendo um final competente, que satisfaz essa jornada; o momento decisivo (não vou falar qual é para não dar spoilers) que deveria ser o cataclismo da história, não entrega. Há elementos repetidos que já vimos anteriormente na obra e, não empolga tanto quanto em outras partes. O clímax é bacana, mas a construção até ele… uma pena.

 

A união faz a força

Ainda que a melhor parte seja acompanhar a banda trilhando seu caminho, os personagens não ficam para trás. Ainda mais porque se não nos conectarmos com eles, ficaria impossível querer ver sua jornada.

Todos os integrantes da banda tocando juntos

Koyuki é um protagonista fácil de se identificar. Ele é um garoto simples/gentil que apenas gostaria de fazer amigos e encontrar seu rumo. No decorrer da trama ele vai evoluindo tanto no pessoal quanto no profissional, mas ainda mantém a sua essência.

Claro que esse desenvolvimento também acontece com os demais integrantes. Dou destaque para uma determinada parte do mangá na qual foca no vocalista Chiba. Ele possui um conflito interessante e plausível.

Todos os integrantes têm seu próprio jeito de ser.

 

Evolução e realismo

É formidável quando algum autor acaba melhorando seu traço no decorrer da obra, e você como leitor, caminho junto dele nessa evolução. Em Beck acontece exatamente isso, há uma mudança boa; o design dos personagens é o mesmo, só que tendo um salto de qualidade. Quando HAROLD faz página dupla ou destacar algum personagem de corpo inteiro, é algo lindíssimo! Dá vontade de emoldurar.

Imagem do Koyuki entrando no pouco, mas só mostra a sombra dele, focando na plateia e na luz que vem em sua direção

Outro ponto de destaque de seu desenho é o contraste entre os personagens característicos de mangá e cenário hiper realista, essencialmente os instrumentos musicais. Parece até uma foto. Ao meu ver está é outra característica que ajuda na imersão, até as linhas de movimento e expressões faciais/corporais, acompanham essa filosofia.

Me fala, em qual mangá você vai encontrar o desenho de uma calça jeans tão perfeita?

Exemplo de como ele desenha calça jeans. Criando um efeito de dobras, que parece muito uma calça de verdade

 

Podemos concluir que…

Prepare bem seu coraçãozinho musical que este mangá vai mexer bastante com ele. Recomendo fortemente! Essa é uma aventura realista na qual alguém encontra um verdadeiro objetivo na vida, e se esforça ao máximo para conseguir realizar esse sonho. E também… quem aí nunca se projetou em algum musicista? Rola diversos tipos de identificação.

Beck é obrigatório para quem procura uma história bem construída, personagens carismáticos e um tema central que não vemos com frequência por aí.

Infelizmente é improvável que veremos este mangá sendo lançado por aqui. Sua quantidade grande de volumes e provável baixo número de pedidos, atrapalham as chances. Única opção é comprar a versão importada americana, ou ler online em alguma plataforma.

Espero que tenham gostado desta review. Comentem aqui embaixo a opinião de vossa senhoria, vamos discutir sobre este mangá maravilhoso. Também não deixe de compartilhar este post com seus amigos, ajuda demais a gente.

Obrigado por ler e até a próxima.

 

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