Aku no Hana – Ser “normal” é chato (Review)

Imagem com uma mão aberto, segurando uma flor que tem um olho

No primeiro momento, talvez você não conheça Aku no Hana. Basta uma pesquisa no Google que proclamações de “O anime mais feio já feito” vão aparecer, ou você mesmo pode chegar nesta conclusão.

O anime ficou famoso por conta de seu visual diferente, e era bem comum ouvir críticas. Devido a este fator, as pessoas recomendavam bastante o mangá, que supostamente aparentava ser mil vezes melhor que sua versão animada.

E aqui estamos. Mangá terminado e pronto para ser analisado.

Vou abordar o assunto de “anime vs mangá” em algum tópico, somente quero que você leitor tenha em mente que Aku no Hana é uma história sobre ser diferente. Tentar manter o padrão que vemos a nossa volta é chato — repulsivo muitas vezes. Sensações de julgamento e monotonia, puberdade, etc.

Ficaram curiosos? Então continue comigo nesta review!

 

Les Fleurs du mal

Aku no Hana é um mangá de Oshimi Shuuzou, lançado entre 2009 e 2014 pela Bessatsu Shounen Magazine. Contendo 58 capítulos, formando 11 volumes no total. A obra é definida pelos gêneros: drama psicológico e romance.

Em uma pequena cidade no interior do Japão, acompanhamos a vida de Kasuga Takao, um garoto normal que se difere um pouco dos demais, por estar carregando/lendo um livro a todo momento.

Roupas de ginástica da Saeki

Entretanto, sua vida muda drasticamente quando, por “acidente”, ele acaba levado para casa, as roupas de ginástica da menina que ele mais admira, Saeki Nanako. O maior problema deste acontecimento, é que a garota mais sinistra da sala viu tudo, e começa a chantageá-lo. Forçando Kasuga a fazer o que ela mandar. Com o intuito de liberar o pervertido interior que, aparentemente, vive dentre dele.

 

O lado pervertido dentro de nós

Aku no Hana te faz refletir sobre algumas coisas. Talvez possa variar um pouco de leitor para leitor, mas provável que seja sobre os mesmos tópicos. Vamos por partes; primeiro, pelo que vemos inicialmente no mangá: puberdade.

Esse é um tema que me marcou pessoalmente. Pois, digamos que eu sou aquele tipo de pessoa “inocente”, que não fala sobre coisas pornográficas, ou se quer faz algo do tipo. O mangá apresenta bastante o lado inocente do Kasuga, no qual ele não aceita ver a Saeki com olhos maliciosos, tentando aceitar que é uma pura paixão de admiração.

Um quadro onde Kasuga fala que Saeki é sua "musa"

Todos nós passamos por essa “afloração de sentimentos” no decorrer da vida. Não há como negar, é um processo que faz parte, é normal. O mangá me fez pensar nisso devido a diversas cenas bem montadas, apresentando a transformação do Kasuga com o passar do tempo.

Mas este não é o tema central, é algo mais além…

 

Não se encaixando em nenhum padrão

Viver sua vida em um padrão, onde você apenas continua na mesma rotina que qualquer outra pessoa da sua idade, sem nada diferente. Acrescente ainda o fato de morar em uma cidade pequena, poucos habitantes, sem internet e frequentando uma escola japonesa.

Essa é a vida de Kasuga. Ele tenta mudar a rotina, lendo livros complexos, só para não ser só mais um na multidão. Ainda mais que no Japão, esse lance de “padrão” é bem forte. Por exemplo: nas escolas, todo mundo vai de uniforme pré-estabelecido, roupa de ginástica, até a mochila é igual, sem nenhum tipo de variação, sem personalidade.

Então, Aku no Hana é uma história sobre libertar-se desse senso comum, ainda mais vivendo em uma cidade pequena, tendo a sensação de que nada vai mudar, ou acontecer.

Nesse sentido, a trama é ótima de se acompanhar. Faz você pensar bastante no que torna alguém diferente dos demais, por que as pessoas jugam de forma exclusiva quem não é igual aquele grupo, como você pode se definir “especial” perante aos demais, etc.

Minha única crítica com relação ao enredo, é na parte final ou depois da metade (não lembro ao certo). Ficou muito confuso o que estava acontecendo, parece quase um outro mangá. Inclusive eu continuo na dúvida sobre a mensagem final que o autor quis passar… ou sou muito burro para entender. Então você que já leu, deixa aí nos comentários qual foi sua interpretação!

Resumindo, a história é legal, mas a reta final deixa um pouco a desejar.

 

Kasuga perplexo

Dilemas

Como já falei bastante do Kasuga, quero dar destaque para as outras duas personagens que ganham mais destaque.

Nakamura Sawa é a menina que chantageia o protagonista. Ela é interessante porque você nunca sabe no que ela está pensando. Por mais que seja bem insensível, cabeça quente e egoísta, dá para compreender o motivo dela ser assim. Como Kasuga, Nakamura também está farta de manter aquela vida entediante, comum, e não poder ser quem ela é de verdade.

Saeki também sofre, mas de outra maneira. Todos esperam que ela seja algo: uma boa filha que faz o que os pais mandam, a ótima e dedicada aluna, responsável, correta. Mas Saeki não decidiu nada disso, somente obedece, pois é isso que esperam dela. Nunca havia parado para pensar no que realmente quer.

(Existe mais uma personagem para se destacar, mas teria que haver alguns spoilers então prefiro evitar).

Os personagens principais têm sua camada de complexidade. É gratificante acompanhá-los no decorrer da trama.

 

Desenho não é incrível e nem feio

Ok, agora falando da arte de Aku no Hana. Não é das melhores, todavia quando o autor desenha as linhas de expressão, quando algo chocante acontece, o desenho fica bem legal.

Pequeno quadro do mangá onde Kasuga está com uma expressão tensa

Como o mangá foi publicado de 2009 a 2014, você vê a mudança no traço, até a chegada do desenho digital. Há uma evolução notável, só que sinceramente… acho que o desenho tinha seu charme quando era só desenho a mão.

Enfim, não é algo que incomoda, nem incrível. Cumpre seu papel.

 

Anime vs Mangá

Um tópico que renderia um post completo.

Só venho aqui para defender como o clima do anime, consegue melhorar o mangá. Já que o tipo de animação que escolheram é uma técnica chamada “rotoscopia”. Na qual os animadores redesenham os quadros de uma filmagem com atores reais. Por isso Aku no Hana tem o visual tentando puxar para o realismo.

Saeki versão do anime

Sim, fica estranho. Entretanto, acrescenta outras coisas. Primeiro que melhora a sensação de mesmice. No mangá, os personagens principais possuem mais detalhes, comparando com os demais, o que de certa forma, faz com que eles tenham um destaque.

Pegando pelo anime, todos tem uma cara de japonês e… bem… os japoneses são extremamente semelhantes um com os outros. Ou seja, dá mais a sensação de que ninguém é diferente. Fora que pelo ritmo mais lento — talvez um pouco exagerado — fica mais evidente a chatice que é viver naquele lugar que nada acontece.  A mesma rotina se repete, de novo e de novo.

Caso queiram que eu fale mais do anime, posso tentar reassistir e postar um review focado só nele. Basta comentar aí em baixo!

 

Podemos concluir que…

É uma leitura muito válida, meio longa e o final desaponta? Um pouco, mas pelo que você leu até aqui, vai ter tirado alguma conclusão. Ainda assim, tive uma boa experiencia de leitura e me agradou no final das contas.

Estou tentando trazer mais reviews de mangá por aqui, então não deixe de conferir os outros posts para me incentivar ainda mais:

E aí, se interessaram por Aku no Hana? Já leram? Qual a opinião de vocês? Comente algo no campo dos comentários, e compartilha o post com seus amigos. Ajuda demais a gente.

Obrigado por ler e até a próxima.

 

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